terça-feira, 29 de março de 2011

Um bom atendimento: Como seria?



Um bom atendimento, a meu ver, não é aquele ato caracterizado pela marcação cerrada que o vendedor faz sobre o cliente logo que este adentra ao estabelecimento. É bem irritante mal acabar de entrar numa loja, já vir um atendente dizendo a célebre frase: ”E pra você”!  Aí, o freguês, já ressabiado, responde: “Estou só dando uma olhadinha!” E vaza fora. Isso não é um bom atendimento. É um assédio comercial. É um espanta freguês. Ao ouvir tal frase logo na entrada, peço para me esperarem acabar de entrar.
Penso que o bom atendimento seria o vendedor receber o cliente, colocar-se a disposição dele, mas deixando-o à vontade para que ele pudesse olhar as mercadorias e talvez localizar a que está procurando, caso esteja exposta. Do jeito que funciona não é muito agradável. Tem suas vantagens, mas também há o outro lado, desvantajoso. Normalmente o vendedor não espera nem o freguês acabar de entrar. É uma avalanche, e a gente se sente encurralada e vigiada.
Então, seria ótimo o vendedor, após um cumprimento rotineiro, dizer, por exemplo: “O que o senhor (ou senhora, ou você) deseja? Já tem alguma coisa em mente ou quer dar uma olhadinha nas mercadorias? Fique à vontade! Assim que decidir, pode me chamar”.  Tudo isso sem muito rapapé, pois há freguês que não gosta de muita frescura. Eu não gosto. Se o freguês já tiver na mente a mercadoria pretendida, completa-se o atendimento sem mais delongas.
Confesso, sinceramente, que me sinto bem melhor quando o vendedor não me assedia, me deixando à vontade para eu dar uma olhada e localizar a mercadoria que estou procurando, caso ela esteja ao alcance da vista. Com aquela marcação cerrada, sob pressão, o freguês discreto e tímido pensa até que está incomodando. Numa situação assim, eu me sinto constrangido, e, sabendo antes, nem entro na loja. Porém, reservo a todos o direito de pensar que a falha é minha.   
Por outro lado, o freguês tem que entender que o atendente não pode deixá-lo muito sozinho tendo em vista a grande incidência de roubo nas lojas. Há pessoas que entram nos comércios só pra roubar. Nas grandes cidades, o índice de roubo nos comércios é muito grande, o que anda preocupando as autoridades e os empresários, principalmente. Em cidade pequena, onde quase todos são conhecidos, ainda há moderação, mas ocorre com certa freqüência, segundo se ouve comentar.
Olhando por esse lado, a gente até entende o assédio do vendedor, uma vez que ao menor descuido, o gatuno afana a mercadoria e sai numa boa, ainda com ar de vitorioso. Ladrão não tem cara de ladrão e nem fala que é ladrão. Portanto, todo cuidado é pouco. Na verdade, o assédio instantâneo não tem objetivo só de um bom atendimento, mas também de uma vigilância severa sobre o freguês, quando este não é conhecido do atendente ou de outros do local.
Outro dia conversei com um comerciante local sobre este assunto. Ele concorda que esta forma de atender não é a ideal, mas acha que ainda é a melhor porque há fregueses que gostam e exigem, além do problema dos furtos. Os fregueses cheios de frescura exigem a atenção de todos. Porém, os empresários do ramo sabem que a maioria dos fregueses é gente honesta, cuja presença não exige sentinela, como também sabem que boa parte da clientela não gosta do assédio.  
Eu não aprecio muito o assédio, embora sabendo que o vendedor foi treinado para isso e tenta fazer o melhor, até pela sua remuneração. Prefiro não comprar a ter um vendedor, com o qual não tenho liberdade de bater um papo, feito sombra me seguindo e não me deixando nenhum espaço, nem físico, nem emocional. Quando me acontece situação parecida, costumo ser franco, pra não dizer mal educado, pedindo ao vendedor para me deixar pelo menos respirar.
Não quero com isso dizer que um bom atendimento não é importante. Antes, é importantíssimo! Tanto que o efeito multiplicador de um freguês mal atendido é muito maior do que o do bem atendido. Dizem por aí que um freguês satisfeito traz dez novos fregueses para o local, ao passo que um freguês mal atendido leva embora consigo cem fregueses. Talvez haja aí um exagero, mas a propaganda negativa é mais poderosa do que a positiva, já que o mal costuma vencer o bem.
Quando o atendimento é acompanhado de muito rapapé, muita frescura e muito fingimento, aí é que fico deverasmente constrangido. É sabido que o freguês é a razão da existência do comércio, mas, por outro lado, o comerciante também exerce papel importante na economia e na vida do freguês. Eu penso que a utilidade é recíproca. O empresário também proporciona comodidade e facilidades ao consumidor. Sendo assim, o freguês não deve ser arrogante e nem exigir tapete vermelho.
Há um outro senão no ato do atendimento que gostaria de comentar. É quando vendedor insiste para o freguês levar a mercadoria que ele, vendedor, tenha gostado. É claro que o profissional do ramo costuma ter mais bom gosto do que consumidor. Porém, pode ocorrer que o vendedor esteja querendo ficar livre de uma mercadoria que esteja encalhada ou em desuso e, com muita razão, não pode perder a chance de empurrá-la no primeiro paspalhão que aparecer.
Portanto, no meu modo de entender, empreendedor e consumidor são interdependentes. Um depende do outro; o outro depende do um. Se um necessita de um bem, o outro está com o bem disponível à espera do necessitado. Então, não é nada justo pensar que só o cliente é importante no virtuoso ciclo comercial. Não obstante o cliente consumidor seja o mais importante, o empreendedor também tem seu valor. È muito bom precisar de algo e encontra-lo facilmente à nossa disposição. Esta é uma das grandes vantagens do capitalismo.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Código do Idoso e os oportunistas.

Há mais de meio século, o Barão de Itararé já dizia: “Há indivíduos que só confessam a idade que têm para ficarem bem colocados nos banquetes”. Certo! O costume ainda persiste, só que agora o objetivo da confissão é mais para usarem as vantagens que o Código do Idoso faculta-lhes, principalmente o avanço de fila. Acho muito certo, pois a criança e o idoso, que são os dois extremos da vida, merecem toda proteção. O respeito a esses dois extremos teria que ser espontâneo, mas já que não é tem que haver uma lei obrigando. O público alvo do tal código deve usá-lo sempre que necessário, porém criteriosamente e, de preferência, sem prejudicar muito quem for preterido.

Entretanto, o ato sistemático de furar fila não é muito bem visto pelos preteridos. Normalmente, a pessoa idosa é aposentada e quase sempre tem tempo disponível. Como lhes é de direito, costumam furar filas para logo em seguida ficarem a toa, nas esquinas, jogando conversa fora. Outros, ironicamente, até zombam de quem permanece muito tempo na fila. Alguns idosos são até empregados ou recebem remuneração de empresas, e mesmo de pessoas, exclusivamente para furar filas, ao passo que outras pessoas que se postam numa fila são trabalhadores, estudantes, donas de casa ou qualquer outro tipo de pessoa sujeita a horários e com o tempo rigorosamente distribuído.

Sempre vejo fatos semelhantes em minhas estadas nas filas de bancos, casas lotéricas e supermercados. Se eu continuar pensando da forma que penso, vou evitar avançar uma fila, pelo menos enquanto eu tiver saúde para enfrentá-la. Quanto ao tempo disponível, provavelmente o terei muito mais do que muitos fileiros habituais. Enquanto eu tiver disposição física, tentarei não furar fila, mesmo que tenha 500 anos de idade. Até mesmo para não irritar quem já está há mais tempo nela. Também, não acho justo preterir quem tem menos tempo disponível. Já vi gente avançar fila, depois sair numa boa e ir jogar sinuca, baralho ou em animadas conversas de rua.

Embora se trate de um direito prescrito em lei, o beneficiário não é obrigado a utilizá-lo. Os deveres legais somos obrigados a cumprir, porém os direitos são facultativos. Podem ou não ser usados de acordo com a consciência do seu detentor. Não sendo necessário, para que usar? Ainda mais um direito, cuja utilização, vez ou outra, está preterindo e irritando outras pessoas. É duro estar numa fila demorada e vê-la sendo furada por outro sujeito, o qual tem mais tempo disponível, e ainda por cima sendo sadio e esperto, não obstante sua idade já lhe permite tal procedimento. Tenho o maior respeito pelos idosos, meus futuros colegas, motivo pelo qual me refiro apenas às exceções abusivas.

Todo mundo sabe que é permitido ao idoso, ao deficiente, às gestantes e a quem carrega criança de colo, avançar uma fila apenas para resolver assuntos pessoais e familiares, e não para executar tarefa remunerada ou quebrar o galho de algum espertinho apressado, que não raro está utilizando um usuário preferencial, um idoso principalmente, para efetuar uma bela furada na fila. Eu já presenciei, no banco, uma única criança sendo usada por duas pessoas diferentes para furar fila. Quanto à gestante, a mulher imagina que se engravidou ontem, hoje já quer furar fila. Assim não dá! Reclamações sobre os excessos e abusos sempre há, mas os gerentes dos estabelecimentos alegam que nada podem fazer. “Dura lex, sede lex.”

terça-feira, 15 de março de 2011

Homenagens Póstumas: Justas ou injustas? Depende!

A Avenida que liga a Vila Boa Vista ao Bairro Olaria recentemente pavimentada pela atual administração, pelo que se sabe foi batizada com o nome de Celso Teixeira de Castro. Tudo muito bem; tudo certo! Antes de dizerem, vou logo dizendo, não tenho absolutamente nada contra o homenageado e nem penso que ele não mereça esta homenagem. Ao contrário, tenho certeza de que merece. Penso apenas que a fila é grande. Antes, há pessoas que fizeram muito por Arcos e até hoje não foram homenageadas, tendo os seus nomes inscritos em logradouros públicos, enquanto muitas outras, ilustres desconhecidas, já tiveram tal honraria, simplesmente por falta de critério justo nas escolhas.

Sendo assim, e para despertar a memória de quem de direito, ouso fazer a seguinte indagação: Quem foi Capitão José Apolinário, Tenente Florêncio Nunes, Salomão Assad, Augusto Murtinho, Zalkin Piatgosk, e muitos outros tão desconhecidos quanto, que estão denominando ruas, avenidas e outros locais públicos? Mesmo que tenham sido conhecidos pelos moradores mais antigos, não se tem notícia de nada que eles fizeram em benefício da cidade e ou do povo enquanto pessoas vivas. Estou fazendo tais indagações baseado em informações obtidas sobre essas pessoas. Todavia, não garanto certeza absoluta. Se eu estiver sendo injusto quanto a eles, me desculpem, por favor. Em relação a alguns, garanto não estar sendo.

Agora me digam também quem foi Armando Barboni, José Pelidiano, Edson Fonseca, Gerson Frias, Ramiro Gomide, Neca Jacinto, Doutor Osório, Jorge Zacarias, Jorge Calácio, Geraldo Gouveia, Lino Clementino Vieira, João Divino do Nascimento, Geraldo de Sousa (Geraldo da Minervina), e tantos outros que não obstante seu trabalho e sua bondade estão esquecidos até hoje por quem podia e devia homenageá-los. No caso de Armando Barboni e José Pelidiano, eles foram os artífices de boas edificações que havia e ainda há em Arcos, exemplos a Matriz de Nossa Senhora do Carmo, o prédio onde ora funciona o Bradesco, a Usina Velha, cujas estruturas preservadas até nossos dias devem ser creditadas aos dois.

Assim sendo, exorto os responsáveis por estas homenagens, suponho ser a Câmara de vereadores, adotarem um pouco mais de critério ao escolherem personalidades a serem homenageadas uma vez que aqui  há supervalorização de umas e desvalorização de outras. Não se restrinjam a escolher o homenageado só pelo fato de ser parente do fulano, ser não sei o que do beltrano, porque é morador da redondeza, porque é sogro rico do empresário do local, porque morreu dessa ou daquela forma ou porque isso, aquilo e aquiloutro. Dêem preferência ao critério de serventia comunitária, uma vez que muita gente já falecida deu provas de sua prestimosidade. Temos um celeiro póstumo bem cheio.

Exorto ainda a,ao aprovarem um novo loteamento já apresentar uma lista de nomes para as ruas, ao invés de permitirem a adoção de nomes de cidades, de tribos indígenas, de estados da federação, de minerais, conforme ocorreu no Bairro Sion, onde houve até repetição de “Rua Esmeralda”, a qual já existia na Vila Boa Vista. Este procedimento poderia até ser parte do elenco das várias condições de aprovação do loteamento. Mesmo que não fosse uma condição inflexível, nossos legisladores deveriam fazer uma exigência moderada sobre sua adoção. Este procedimento não ia prejudicar ninguém, enquanto homenagearia muitas pessoas das várias famílias que ajudaram a construir nossa cidade. Já que um ou outro edil não tem aptidão para legislar e fiscalizar, que cuide deste assunto.

É claro que o vereador tem todo o direito de homenagear um ente querido seu que já tenha partido dessa vida, principalmente sendo gente merecedora, conforme a maioria, de fato, o é. Se eu fosse um vereador provavelmente faria a mesma coisa. Devo dizer ainda que esse critério faltoso não é invenção da atual legislatura. Ele é muito antigo, e deve ter a mesma idade do legislativo arcoense. Repetindo quantas vezes forem preciso para dirimir dúvidas, não tenho nada contra nenhum dos até hoje homenageados, mas tenho tudo a favor da justiça para muitos, que, embora não estejam mais entre nós, deixaram marcas indeléveis na história da comunidade arcoense e no coração dos filhos de Arcos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Depressão. Algo prático sobre

Ao conversar recente e demoradamente com uma pessoa portadora de depressão fiquei impressionado com a situação dela e, ao mesmo tempo, pensando como é terrível ser acometido desse mal. É uma situação tão complicada, que só quem já passou por isso sabe como é difícil ter a doença ou conviver com um ente querido que a tenha. Assim, não obstante meus parcos conhecimentos, resolvi arriscar a falar um pouco sobre este mal que assola a humanidade, uma vez que tenho experiência pessoal no assunto.
Como todo mundo sabe a palavra depressão, literalmente analisada, tem vários significados, os quais acabam se transformando em um só, praticamente. Ou seja, acaba se transformando em um Buraco. Sim, um grande e feio buraco, pois a depressão nada mais é do que um buraco na vida da gente. Como todo buraco ocorre por falta de um material que ocupava seu lugar, a depressão ocorre também por falta de um precioso bem, material, espiritual ou afetivo que preencha a lacuna, complete e satisfaça o nosso ser.
É sabido também que toda depressão, ou seja, a doença da alma, surge em decorrência de uma perda. Pode ser qualquer uma. Perda de emprego, de saúde, de um ente querido, de juventude, de dinheiro ou de qualquer um outro bem que seja importante para o ser humano. Eu conheço um sujeito que está deprimido porque perdeu os cabelos, ou seja, ficou careca. E não adianta falar com ele que “é dos carecas que elas gostam mais”, porque não lhe serve de consolo.
Tem gente que pensa que depressão é frescura ou falta de serviço. Falta de serviço até pode ser, porque ela pode ter surgido em virtude da perda do emprego, mas frescura não é, pois o portador torna-se impotente diante dela. O deprimido é digno de pena, respeito e muito carinho, não obstante ele se torne muito amargo e companheiro da solidão, chegando até rechaçar tentativas de aproximação. Nada que se fala com ele lhe dá algum ânimo, mesmo porque ele se torna refratário a conselhos e sugestões.
Deve-se ressaltar também que a depressão é doença de gente de bem; é um mal que aflige mais as pessoas dotadas de vergonha na cara, uma vez que as pessoas desse tipo é que sentem mais as perdas. A coisa mais difícil de se ver é um cafajeste, um pilantra, ou um bandido cruel ser acometido de depressão. Eles não estão nem aí para suas perdas e para as que eles causam aos outros. Um ou outro pode até entrar em depressão quando vai para a cadeia e perde a liberdade.
Como a depressão age feito um ladrão, ou seja, chega de surpresa, ela pega o indivíduo desprevenido e o domina de uma vez, por completo. Ele fica impotente e não encontra forças para reagir, visto que se desanima de tudo. As coisas simples que uma pessoa normal faz na maior naturalidade, o deprimido tem dificuldade em fazê-las. Como exemplo, cito tomar banho, escovar dentes, agasalhar-se, alimentar-se, etc. O sexo, então, torna-se a coisa mais sem graça do mundo. Então, o acometido fica bem ruim, não é mesmo?
Biologicamente, todo organismo é dotado de uma substância, que fica alojada no cérebro, chamada cerotonina. Essa substância é que dá ânimo, alegria e humor às pessoas. A cerotonina, segundo li certa vez, é apenas 0,01 grama por organismo, e mesmo assim ela ainda costuma baixar. Quando ela baixa, logo, logo dá origem a uma bela depressão. E como a depressão é também uma doença física, há que se tomarem medicamentos farmacêuticos para elevar o nível da cerotonina.
     Além de medicamentos para o físico, o deprimido também tem que procurar remédio para a alma através de orações. Se ele for uma pessoa dedicada à igreja deve continuar exercitando sua fé uma vez que a doença atinge muito o espírito. Caso esteja afastado de Deus, deve procurar reconciliar-se com Ele imediatamente considerando que a falta do que agarrar-se aumenta mais ainda o desespero, o que leva o deprimido a ficar mais propenso ao suicídio. A força de Deus é muito importante nessa hora. 
O deprimido não representa perigo para outras pessoas. Ele é um perigo mais para si do que para os outros, uma vez que ele só pensa no auto-extermínio. Ele não pensa em matar ninguém; pensa em acabar só com a sua vida, uma vez que ela não tem mais nenhum sentido. A depressão é a anti-sala da loucura; e a loucura é o portal de entrada para o suicídio. Dizem que quem não tem dó nem de si, não vai nunca tê-la dos outros, mas para o deprimido essa afirmação não é muito verdadeira.
Em sendo assim, exorto os prezados leitores a, quando tiverem oportunidade, não deixarem de socorrer, amparar, aconselhar e animar um deprimido, mesmo este estando resistente à presença de outrem, o que  comumente acontece. Se você puder vencer as barreiras impostas por ele, não lhe vire as costas, pois ele é um infeliz, totalmente dominado pela doença. Se você assisti-lo, ele poderá não melhorar, mas com certeza não piorará, pelo menos enquanto estiver recebendo sua atenção.
Recebendo sua atenção, o deprimido poderá perceber que nem tudo está perdido e que ainda há pessoas atenciosas e altruístas. Ao passo que se você lhe virar as costas, ele poderá sentir-se mais desprotegido ainda.  Aí, o resultado poderá ser funesto, conforme temos visto vez ou outra, desafortunadamente. A qualquer descuido nosso ou a qualquer mal entendido dele em relação a uma atitude nossa, ele poderá dar cabo de sua vida, até como forma de se vingar das pessoas.
Esperando não ter escrito muita bobagem, solicito também aos entendidos do assunto o obséquio de não pensarem que estou dando uma de sabichão, querendo me meter num assunto que não me compete e do qual entendo muito pouco ou nada, a não ser a experiência pessoal, que será assunto de um outro texto. Estou falando de depressão no sentido prático, e não no científico.  Teoria, não tenho nenhuma, mas na prática pessoal não fiquei muito longe de ser doutor.  
Finalizando (UFA!), agradeço a todos que tiveram a paciência e o altruísmo de ler esta patacoada. Não tenho a pretensão de querer que tenham aprendido algo com esta leitura, mas, por outro lado e sinceramente, espero não tê-los feito desaprender nada e nem esquecer o que já sabiam. E muito menos ainda desejo que fiquem deprimidos, principalmente por minha culpa. Se isto acontecer e chegar ao meu conhecimento, quem ficará deprimido serei eu. Depressão, se Deus quiser, nunca mais!






segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A FÉ NOSSA DE TODO DIA.

Numa noite dessas perdi o sono, levantei de madrugada e fui fazer minhas orações cotidianas. Enquanto orava, aproveitei para pensar um pouco sobre a fé, ou seja, essa misteriosa força que orienta e guia as pessoas. Não só nessa fé que as pessoas dirigem às divindades, mas também na fé que as pessoas têm em todas as coisas que as cercam e com as quais convivem no dia a dia. Sim, porque o acreditar ou não nas coisas que sabemos ou que pensamos conhecer demanda um pouco ou uma grande quantidade de fé. E esta fé nos foi passada ou ensinada por alguém para que emprestássemos credibilidade a esse ou àquele assunto.  

Por exemplo: o caro amigo sabe que é filho do seu pai fulano de tal e de sua mãe beltrana da silva.  O amigo sabe disso porque lhe disseram quando ainda era criança. Assim, o amigo cresceu e amadureceu acreditando no que lhe informaram, mas não tem provas de que esse fato seja verdadeiro. Há uma certidão de nascimento provando esse fato? Há! Com certeza! Mas, e se a certidão for falsa ou se o amigo tiver sido adotado? E se ainda o caro amigo for filho de uma irmã, cuja maternidade a família precisava esconder. E, se no final for isso, aquilo ou aquiloutro?! Portanto, olha a fé aí se fazendo presente e mostrando seu poder de convencimento.

Portanto, a fé é uma mania que gente tem de validar a realidade das coisas para que elas passem a fazer parte de nossas vidas com legitimidade, com autenticidade, com firmeza e como verdade irrefutável.  Outro exemplo: quando se vai validar um documento no cartório ou reconhecer uma assinatura, o tabelião escreve mais ou menos assim: “Assino e dou fé”.  Para que esta formalidade? Para dar autenticidade e legitimidade ao documento, tornando-o crível, legal e verdadeiro. Vez ou outra alguém diz assim: “Ah! Eu não boto fé nesse troço”, querendo dizer eu não acredito nisso; eu não confio nisso. Olha a fé, de novo, dando o ar de sua graça.!

Logo, ter fé é acreditar piamente em algo e fazer daquilo um ponto de afirmação, apesar de a fé não ser imutável. Hoje a gente tem fé em algo, amanhã pode muito bem não ter mais. Mas há uma certa fé que acompanha a gente durante toda a vida, até porque a gente tem receio de abandoná-la e a coisa ficar pior. No caso é a fé em Deus. Essa costuma acompanhar a gente por toda a vida.  Na religião, por exemplo, a pessoa fica descrente com o padre ou o pastor, mas não descrenta de Deus. Olha a fé aí, firme e forte. O dia em que essa fé acabar, outro tipo de fé não terá nenhum sentido.

Assim, a fé vai levando a gente pela vida afora. A pessoa sem fé é muito vazia e sem rumo. Tem que ter onde encostar-se à hora das atribulações e sofrimentos. Temos que acreditar em algo para que vida tenha sentido. Uma pessoa que não tem fé ou não acredita em nada, além de vazia, deve ser muito infeliz. O volume da fé não importa muito, o que importa é que ela exista. Sempre a gente vê por aí que uns, fé de menos: já outros, fé de mais. A bem da verdade, a fé não remove montanhas, mas com certeza nos ajuda a transpô-la. Agora, a dinamite eu garanto que remove a montanha.

Brincadeiras a parte, pois estas não podem passar dos limites, todos nós temos que concordar que há uma fé da qual não podemos duvidar, ou seja, a crença de que somos filho de um Deus maior e universal, sem a mão do Qual não existira tanta beleza e tanto mistério em torno da criação. E para termos certeza de que somos filho Dele, não precisamos de nenhum registro formal e nem fazer algum exame científico, ultra moderno, como o de DNA. Basta percebermos a misericórdia que Ele derrama sobre nós e o volume de graças com que Ele, o Pai, nos cumula todos os dias.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CIDADÃO HONORÁRIO.

Nada tenho contra o costume de se conceder títulos de cidadão honorário, mesmo porque minha opinião, contra ou a favor, não alteraria em nada. Além disso, tenho certeza de que muitos agraciados são bastante merecedores, ao contrário de outros que prefiro nem comentar. De um modo geral, penso que é uma forma de a cidade homenagear forasteiros importantes e úteis à comunidade, ou mesmo um meio de os políticos homenagearem os amigos mais próximos. No entanto, o que deixa um pouco a desejar é o critério de escolha, que, às vezes falha, deixando de fora alguns forasteiros também merecedores, os quais às vezes observam a desatenção.

Então, há uma farta lista de cidadãos de outras cidades, de várias categorias profissionais, os quais vieram para cá por diversos motivos, profissionais principalmente. Aqui fixaram residência e estão até hoje como se fossem nascidos aqui. Não obstante suas importâncias para Arcos, não sei por qual motivo ainda não receberam titulo de cidadão honorário. Acredito que seja porque são pessoas discretas e ocupadas, que não dispõem de tempo para se relacionar com os políticos, uma vez que estão sempre absortos em seus deveres, e procurando de uma ou outra forma ser úteis à cidade que os acolheu e os adotou como filhos.

Aquiescido por eles, ouso citar alguns da lista: Luiz Antônio Cipriani, engenheiro; Jésus Arantes Campos, engenheiro e empresário; Antônio Mendes Campos, profissional liberal, maçom; Mauro Aparecido Arruda, industriário, maçom; Wanderlei Brito, empresário; entre outros, tão qualificados como pessoas quanto os citados. São pessoas honradas e bondosas, que aportaram aqui, criaram família, construíram suas moradias, constituíram empresas e formaram seu patrimônio. Também fizeram grande círculo de amizades, abraçaram as diversas causas da comunidade e estão até hoje nos honrando com sua presença.

Por outro lado, não dá para esquecer de que já há outros, bem mais sortudos, que, mesmo não recebendo tal título, já recebem direto um bem remunerado cargo de confiança na administração municipal, o que lhes permite interferir na administração da cidade, não obstante possam ser pessoas que nada fizeram de especial na comunidade para merecer tal regalia. Vejam bem: Não estou afirmando que o fulano, o sicrano ou o beltrano não merecem; digo apenas que PODEM não merecer perante os olhos da população uma vez que o critério de suas escolhas é meramente político. É bem diferente da concessão de um título honorífico, cujo critério se baseia em méritos!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lei do desarmamento.

QUE COISA mais controvertida e injusta é esta lei do desarmamento. No inicio, ela desarmou os cidadãos de bem, enquanto os meliantes ficaram armados até os dentes. Hoje sua ação continua quase a mesma, ou seja, desarmando os mesmos cidadãos, ao passo que a bandidagem continua dispondo de farto material bélico. Quando da promulgação da tal lei, o cidadão direito, possuidor de uma arma de fogo, ficou desorientado e, temeroso de ser penalizado, procurou livrar-se dela o mais rápido possível. Aí, o resultado foi o desguarnecimento total dos lares e seus ocupantes. Presumindo que nem todos os bandidos são corajosos, um ou outro, sabendo da existência de uma arma, pode ficar tendente a evitar aquela invasão. Como tudo o que tem ânus tem medo, bandido não foge à regra. Muitos apertam o gatilho, impulsionados pelo medo.

EM MINHA opinião e na de milhões de pessoas mais aptas a opinar, todo cidadão de bem devia possuir uma arma de fogo em casa, registrada, para se defender de uma agressão inesperada. O próprio governo devia facilitar a aquisição da arma quanto ao custo dela e à burocracia oficial. No entanto, para ter esse direito bastava o cidadão provar que é uma pessoa moralmente legal, psicologicamente equilibrada e tecnicamente apta a manejar uma arma. Os respectivos atestados comprobatórios seriam emitidos por órgãos oficiais competentes. As técnicas de manejo deviam ser ministradas por corporações policiais se, e somente se, a pessoa se enquadrasse nos dois critérios anteriores. Hoje está muito difícil possuir uma arma legalizada, mesmo preenchendo os requisitos exigidos. Há que se justificar a necessidade de possuir a arma, e as autoridades não aceitam a alegação da autodefesa.  

ESSAS JUSTIFICATIVAS que dão para os rigores desta lei, de que arma em casa representa mais perigo, não são tão fortes assim. Dizem que o bandido pode invadir a casa e usar a arma contra o próprio dono. Mas vale a pena correr esse risco. Na atual circunstância, o risco de ficar desarmado é muito maior, pois ninguém mais tem segurança em lugar nenhum. Os aplicadores e defensores desta lei alegam também que uma criança pode ter acesso à arma, o que pode redundar numa grande tragédia. É verdade, mas o dono da arma teria que ter o máximo de cuidado na sua guarda, sendo inclusive penalizado criminalmente caso negligenciasse neste item. Será que além do sofrimento causado pela tragédia, o sujeito ainda ia querer enfrentar a justiça? Acredito que não, já que o medo da lei é que faz com que as pessoas procedam de forma correta. 

SEGUINDO o curso natural da obediência, as autoridades estão apreendendo todas as armas que podem, ou recolhendo as que são espontaneamente entregues. No entanto, pouco se vê notícias de apreensão de algo palpável e substancioso. Não são esses trabucos antigos e inativos, relíquias e objetos de coleção, a causa do aumento da violência. Ademais, quem quer matar mata por outros meios: asfixiado, envenenado, esfaqueado, caceteado, e outras formas cruéis. A violência cotidiana e crescente é incentivada tão somente pela impunidade a quem a comete pela primeira vez, principalmente os menores, cujo ego fica lá em cima. “Vou fazer de novo, pois não acontece nada comigo. Sou “de menor”, uai!” Como muito bem dizem os antigos: É de menino que se torce o pepino!

VEJAM o que está acontecendo nas grandes metrópoles, mais recentemente no Rio de Janeiro. Os fora da lei estão lotados de armas poderosas. Se neste amado país houvesse leis sérias e rigorosas, que cortassem o mal pela raiz, inclusive e principalmente combatendo o tráfico de armas e drogas, a bandidagem e a violência não teriam adquirido o status que adquiriram, ou seja, “o crime organizado”. A que ponto nós chegamos? Crime organizado! Que vergonha para as pessoas encarregadas de governar o país! Onde elas estavam enquanto a bandidagem se organizava sem ser incomodada? Elas deviam estar muito ocupadas loteando o Brasil e dividindo as verbas públicas entre si. Se o crime está organizado, significa que a sociedade, que devia combatê-lo, está desorganizada.  

FINALIZANDO, faço a seguinte pergunta: Não estão querendo legalizar o uso da maconha para agradar a um bando de usuários, malucos irresponsáveis?  Pois, então! Legalizem e facilitem também o direito de possuir uma arma de fogo em casa, que é muito menos perigosa do que a maconha. O direito de possuir a arma registrada já é legal, mas é muito difícil se enquadrar nele devido ao rigor das formalidades. E o direito de portar a arma, então? Esse é que é difícil. Geralmente só autoridade constituída é que consegue obtê-lo.  O interessado comum desanima logo no começo dos procedimentos. Enquanto isto, um ou outro cidadão indefeso, à mercê da sorte, está sempre escutando, dentro de sua casa, a desagradável ordem oriunda da boca de um bandido: “Fique quieto; isto é um assalto. Se mexer, leva chumbo!”