sábado, 22 de outubro de 2011

SER CIDADÃO.

HÁ MUITOS anos um professor nos disse em sala de aula que cidadão é aquela pessoa que possui um título de eleitor, ou seja, que tem o direito de votar. Ou o conceito de cidadão mudou ou esse professor estava desinformado. O conceito de cidadão é muito mais amplo e muito mais completo, não se restringindo apenas ao direito a um controvertido, e, muitas vezes, mal utilizado voto. Se assim fosse, os vocábulos iludido, enganado e desrespeitado seriam sinônimos do vocábulo cidadão, pois é assim que os políticos fazem com o portador de um titulo de eleitor.

PRIMEIRAMENTE, ser cidadão é entender e respeitar que nosso direito acaba onde começa o do outro. Não há como ser cidadão se não se respeita as normas impostas pela vida em sociedade. Isto não diz respeito apenas às normas escritas nos códigos legais de comportamento, mas também àquelas que existem pela consagração popular, ou seja, as que estão escritas apenas em nossa mente e no nosso coração.  Estas são mais direcionadas para o lado humano das coisas, uma vez que nos lembram que não devemos fazer ao outro o que não queremos para nós.

SER CIDADÃO é pagar os impostos em dia, mesmo sob protesto, porque se sabe que os políticos irão desviá-lo, no todo ou em parte, para suas contas pessoais. Ser cidadão é preocupar-se com os cachorros de rua, conforme muita gente está se manifestando aqui. Ser cidadão é estacionar seu carro de maneira correta, sempre tendo em mente que não se está impedindo o outro de estacionar ou de movimentar o seu. Ser cidadão é dirigir com toda a cautela, não se fazendo de rogado e entrando numa rotatória sem antes observar se o outro não chegou antes de você.

SER CIDADÃO é não jogar lixo nas vias públicas, e, principalmente animais mortos para exalarem mau cheiro perto dos outros, conforme alguns fazem por aí. Denunciar quem age dessa forma também é ser cidadão. Ser cidadão é pagar nossas contas em dia, para que os nossos credores também sejam cidadãos pagando as deles. Ser cidadão é ganhar um salário miserável como muitas pessoas ganham e, mesmo assim, não se apossar das coisas alheias. Ser cidadão é respeitar as diferenças entre as pessoas, tentando consertar o que for possível e aceitando o não passível de conserto.

ALÉM DAS formas citadas acima de ser cidadão e manifestar a cidadania, existem inúmeras outras que exigem de nós a prática do mesmo sentimento.  Para isso, basta a gente conhecer nossos deveres e nossos direitos. Quanto aos direitos, não precisamos nos preocupar com eles, pois estes a gente usa se quiser; não é obrigado. O dever já é um pouco diferente, pois somos obrigados a cumpri-los. Assim, se todos cumprirem fielmente o dever, dificilmente aparecerá alguém reivindicando seus direitos. O dever cumprido de um sempre atende ao direito de outro.

ENFIM, ser cidadão é adotar a prática de atos que vão ao encontro dos interesses da pessoa que os pratica, sem ir de encontro aos interesses das demais pessoas envolvidas. Ser cidadão é viver em harmonia com tudo e com todos. A cidadania consiste em viver de acordo com a reta razão e a vontade de Deus. No entanto, nenhum ser humano pode assumir o compromisso de ser cidadão a todo o momento, devido à própria condição humana, que é cheia de falhas e imperfeições. Todavia, havendo boa vontade, boas intenções, interesse pelo bem dos outros viventes já terá sido um ótimo começo.

COMO SE VÊ, há muitas formas de ser cidadão e a todo o momento a gente se depara com uma delas. No entanto, entre elas, em minha opinião, a mais infrutífera acaba sendo exatamente aquela a que o tal professor se referiu, como se fosse a única. Considerando o procedimento nefasto da maioria dos nossos políticos, não compensa ser cidadão dessa forma. Possuir um título de eleitor para votar nesses políticos maus caráter que pululam no país, e depois assistir, impotente e decepcionado, a sucessão de falcatruas, não é exercício de cidadania. É, antes de tudo, ser imbecil, idiota, burro. Se ser cidadão fosse só isso, eu preferiria não sê-lo.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O BOM HUMOR.


O bom humor é uma característica marcante no psiquismo das pessoas. È um estado de espírito que permite ao seu portador influenciar o espírito das outras pessoas. Assim, imaginava-se que as pessoas bem humoradas conseguiriam agradar mais às outras, ou mesmo apenas desagradar menos. Mas, há controvérsias em relação a isso, já que tudo nesta vida tem seus opositores.
Parece que a maioria das pessoas se acostumou a viver azedamente, em guerra com o mundo, o que as faz rechaçarem as outras dotadas de bom humor. Por que será que as pessoas bem humoradas incomodam tanto as mal humoradas ou as indiferentes? Será azedume próprio, inveja peçonhenta ou antipatia gratuita?  Há pessoas que são avessas à alegria. Eu conheço uma pessoa, muito boa, que nunca emitiu um sorriso.
Sabe-se que o mensageiro maior do bom humor é o sorriso. Além de não deixar de ser uma atividade física, o sorriso é também uma atividade da alma. Para sorrir, a pessoa utiliza cerca de 10 músculos do rosto contraindo o diafragma da face; enquanto que para ficar sério, sisudo, utilizam-se cerca de 20 músculos. Então, o sorriso, além de ser mais agradável, acaba também sendo mais econômico.
Ninguém tem o direito de criticar as pessoas bem humoradas só porque as opiniões divergem. Não devemos dizer que a piada do outro é sem graça só porque nela contém uma opinião diferente da nossa. Na verdade, podemos não concordar com ela porque o assunto não está nos agradando, mas o humor em si nada tem a ver com isso. Se ele existir no fato, não há como nega-lo.  
Sabe-se que há momentos em que a pessoa esteja passando por alguma dificuldade, ou imbuída de alguma preocupação, não estando propensa a uma brincadeira até agradável ou não está receptiva a uma piada, mesmo esta sendo de bom gosto. Porém, o simples fato de o humor provocar sorrisos já é uma grande conquista, até pelo simples fato de que sorrir é melhor do que chorar. Sem dúvida!
Este modesto cidadão metido a escriba, que ora abusa da sua paciência, já foi criticado e ironizado por causa do bom humor. Porém, não me incomodo com isso, uma vez que nunca ouvir dizer que um bom humor equilibrado e respeitoso fizesse mal a alguém. Não é verdade que dizem por aí que sorrir é o melhor remédio? Pois então! E é certo que muitos sorrisos originam-se em situações de bom humor.
Que pessoas sejam diferentes, tudo bem, tudo certo. Mas daí a generalizar e achar que toda manifestação de bom humor é condenável não é de bom tom, pois o defeito pode estar em que está criticando e não no objeto de humor então criticado. Se meia dúzia não gosta, há dezenas, centenas, milhares ou milhões que apreciam. Sempre houve pessoas que são contra tudo, só pelo prazer de sê-lo.
Que o digam os humoristas profissionais! Tais agentes lotam salões pelo mundo afora, de todo tipo de público, pagando entradas caras, a fim de vê-los atuando e exercitando seu humor, o qual pode ser sem graça para uns, porém engraçado e agradável a outros dotados de mais sensibilidade, de mais capacidade de entendimento, e, naturalmente, de mais senso de humor.
Este texto não foi escrito para falar sobre humoristas, mas sim, sobre o bom humor. No entanto, como as duas coisas estão intimamente ligadas, o assunto não deixa de vir à tona. Falar em bom humor sem mencionar seus agentes é como falar de queijo e não se lembrar da goiabada; é como degustar um sanduíche desacompanhado de uma coca. Enfim, é como falar da cidade eterna, Roma, sem se lembrar do Papa.
Portanto, "sorria, mesmo que seu sorriso seja triste, pois mais triste do que um sorriso triste é a tristeza de não saber ou não poder sorrir".

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Carta à Arcoense do Mural de Recados.

Quanto ao seu recado do dia 21/09, destinado à População, desejo fazer alguns comentários, agora que disponho de mais tempo, pois tive que me ausentar de Arcos por alguns dias.  No entanto, este texto está pronto desde 30/09, mas depois de seu último recado me senti motivado e até no dever de posta-lo, porém sem intenção de alimentar confrontos e ingrisias, e também para tentar me fazer entender melhor. Se puder entender meu propósito, ficarei muito grato. Depois, se quiser me procurar pessoalmente estarei à disposição. Então, vamos ao assunto:
Primeiramente, não estou preocupado com o fato de saberem quem se cognominou Patativa.  Sou um cidadão comum, não devo nada a ninguém, principalmente à justiça.  O único problema é aquele inerente às cidades pequenas, onde todos se conhecem e quase ninguém perdoa ninguém, mesmo quando se está dizendo a verdade. Principalmente quando o ninguém a ser compreendido ou perdoado é de origem humilde, de família pobre, sem prestígio social, conforme a minha. Em cidades pequenas as pessoas, mesmo sendo dignas, são respeitadas pelo seu “ter”, e não pelo “ser”, salvo honrosas exceções. Nada tenho a esconder, pois tenho o direito de escolher o lado político mais racional, até porque não tenho nenhum interesse pessoal. Aliás, nem gosto de política, como também detesto alguns políticos.
Sobre isso, já disse aqui que se eu fosse um seqüestrador, ia me especializar em raptar políticos e fazê-los devolver ao povo tudo o que roubaram. Eu ia ter muito trabalho, mas tentaria assim mesmo. Dentro de pouco tempo eu teria vários adeptos em todo o país, o que transformaria o Brasil num grande cativeiro, com muitos seqüestros em andamento, aguardando a família do seqüestrado devolver os bens subtraídos. Neste caso, não seria um Robin Hood, porque este tirava dos ricos e dava aos pobres, seria apenas um justiceiro fazendo o que a lei brasileira nunca se dignou a fazer plenamente, permitindo aos dilapidadores do Erário Público ficar livres e ricos, debochando do povo sofredor e das instituições enfraquecidas por eles mesmos, com suas habituais falcatruas. .
Em segundo lugar, quero esclarecer que não tenho a intenção de desmoralizar nenhuma pessoa ou órgão, pois não possuo respaldo para isso. Apenas faço críticas, moderadas, a fatos concretos e conhecidos por todos. Comento sobre atitudes de um governo que, depois de tanta luta para eleger-se, tinha tudo para ser uma boa novidade, tendo em vista as promessas de renovação, mas que começou de maneira equivocada. Como equívocos que desapontaram parte da população cito apenas três: a festa da posse por conta do erário público; a concessão de cargos de confiança a pessoas que nada têm a ver com Arcos; e, por fim, a construção precipitada do lajão. Isso não se trata de azedume de eleitor derrotado, mas de constatação do desapontamento das pessoas que nos falam sobre os fatos.  
Conforme já declarei aqui, eu não votei no atual prefeito e votei em apenas um vereador, mas isto não significa que os escolhidos por mim são os únicos bons, não.  Os outros também podem ser. Apenas tentei escolher os que eu considerava melhor na época. Quanto ao legislativo, eu generalizo os treis níveis, e não todos os membros de cada um. Eu sei que há senadores, deputados e vereadores que prestam, embora não seja a maioria. Entretanto, a desmoralização de que eles, os legislativos, desfrutam foi criada por eles mesmos, uma vez que são gananciosos, perdulários e pródigos ao gastarem os recursos públicos em detrimento dos interesses maiores da sofrida população brasileira. Exemplo: dinheiro para dar aumento justo aos professores não há, mas não reduzem um centavo na verba destinada aos legislativos.
Em seguida, garanto-lhe que não pago para postar nada, pois não teria nenhuma vantagem se tivesse que fazê-lo, já que não tenho nenhum interesse pessoal. Se há alguém pagando, na certa não sou eu. Eu gostaria é de receber algum “cascalho”. Pedrada, não! Como você está se queixando dos bloqueios, eu também me queixo. Só que o Moderador não divulga minhas reclamações quanto a isso porque são muitas. Mesmo assim, eu não penso que o Portal receba algum valor para divulgar ou não mensagens contra ou a favor das pessoas que ora administram Arcos.  Penso tratar-se apenas de imparcialidade. Então, pode tirar essa suposição da cabeça, pois as publicações são gratuitas, desde que enquadradas no regulamento do site. Prefiro pensar assim.
Por fim, sem por gasolina no fogo, quero lhe perguntar por que no seu recado você não citou o mais implacável e contundente adversário político da atual administração, o Antônio Vitor, restringindo-se a citar Patativa, Palito e Nelson Morais?  Será que é porque os citados não possuem a carapaça protetora que o Antônio Vitor possue? A carapaça a que me refiro é a tradição familiar, muito antiga, e a influência de seu pai, um político decidido e acima de suspeitas. Eu, muito menos do que Nelson Morais, possuo tradição familiar, bem como nenhuma influência política. Quanto ao Palito nada sei dizer, por que não o conheço, mas acho que também não se enquadra no mesmo perfil do Antônio Vitor, senão não teria sido citado. Olha, não precisa se dar ao trabalho de responder, só pense nisso.
Antes de terminar, quero esclarecer que não sou generalista. Se o fui alguma vez, foi por descuido de minha parte, já que sempre gostei de repetir que toda regra tem exceção e também de usar termos adequados à exclusão de inocentes, alheios ao meio citado. Nunca achei justo confundir o todo com a parte, ou vice-versa. “O erro de um só frade não pode condenar todo o convento”. Consoante você disse, eu lhe magoei profundamente incluindo seu ente querido no rol dos censuráveis. Caso isso tenha acontecido e tenham si sentido INJUSTIÇADOS, espero que me desculpem e não vistam carapuça de bitola errada. Lembrem-se de que toda afirmação, insinuação ou carapuça têm a destinação predefinida. E quem a merece, se for pessoa dotada de alguma consciência, costuma entender a mensagem.
Portanto, quem não deve, não precisa temer. Em sendo atingido e não merecendo, é só se manifestar da forma desejada, dizendo que não faz parte daquele rol, bem como exigindo retratação. Entre o céu e a terra, sempre há uma explicação para quase todas as falhas humanas.  A própria lei codificada dos homens dá a todos o direito de defesa, até mesmo a quem a gente julga não merecer.  Se alguém me ofender ou agredir injustamente, apresento minha réplica e peço retratação. E é isto que estou, em parte, fazendo agora, ou seja, me retratando. Subterfúgios, explicações, desculpas, perdão e outras formas de amenizar conflitos foram feitos para ser pedidos e concedidos a quem os pede e os merece.  Assim, se eu merecer, queira me desculpar, inclusive pelo tamanho deste texto. Um abraço, obrigado e até mais ver.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A FOME E A GREVE.


Sinceramente, tenho muita pena de quem sofre o flagelo da fome. Já passei por isso e sei como é duro não ter o que comer já logo pela manhã. É uma situação muito triste, que costuma levar a pessoa ao desespero, até fazendo-a desviar do caminho do bem. Tem que ter linhagem decente para não ser pervertido pela necessidade de conseguir alimento. A fome costuma ser a porta de entrada para o delito.
Compadeço tanto das pessoas famintas que nunca deixei de socorrer algumas que encontrei na estrada da vida. Na verdade, não fiz nada mais do que o meu dever. Não fiz nenhum favor a ninguém. O maior favorecido fui eu mesmo, pela graça que Deus me deu de estar socorrendo, e não sendo socorrido. É um raciocínio muito simples. Não tem segredo nenhum; qualquer um chega a essa conclusão.
Porém, quanto à greve de fome tenho dupla visão a respeito. Quando ela é justa, penso que quem tem o poder de evitá-la deve fazer o máximo para que tal suplício não aconteça. Quando o grevista está reivindicando uma medida justa, que trará benefícios numa ponta sem prejudicar a outra ponta, eu penso que nada deveria impedir o atendimento dos seus objetivos, visto que a fome é um martírio muito grande, principalmente quando não se tem o que comer.
Quando se tem o alimento, a história é bem diferente. Quanto a ter ou não ter o que comer, tem gente que diz assim: “Ah, eu prefiro ter fome e não ter o que comer a ter o que comer e não ter fome”! Nossa, que bobagem! Que maluquice!  Que tremendo mau gosto! Que o digam os que já passaram fome por um ou outro motivo. Qualquer motivo é doloroso, mas por não poder possuir o alimento é muito mais.
Assim, a própria greve de fome já é uma loucura. O grevista é o seu próprio algoz. Quanto a ter ou não o alimento, não obstante a insignificância da minha opinião, eu já penso o contrário. Sem sombra de dúvida, eu prefiro ter o que comer e não ter fome, pois a hora que eu tiver fome, a comida está aí. O caro leitor já pensou em estar com fome e ainda ter que conseguir comida?! Eu, hein! 
Alimentar-se, comer, ou encher a pança, além de ser uma atividade essencial à sobrevivência, é um dos bons prazeres da vida. As pessoas que não praticam esta atividade por escassez de recursos são dignas de piedade. Agora, quando a greve de fome é por motivo banal, pessoal ou pirraça, eu penso que o grevista devia ser deixado à vontade, a mercê de sua sorte. Quer ser o carrasco de si, que o seja!
Estou ciente de que este assunto não interessa a ninguém, mas já que vez ou outra alguma mídia o traz à tona, lembrei-me de um amigo que está fazendo grave de fome em protesto à greve de sexo que sua mulher está lhe fazendo. Segundo ele, ela está agindo assim em protesto a um suposto escorregão que ele teria dado. Ele jura que não, mas ela não acredita. Segundo ele, a greve é a única forma de fazê-la acreditar.
O meu amigo já emagreceu bastante; está tão magro que está com receio de ficar exposto ao vento. Já avisei a ele dos riscos que está correndo, mas ele disse que quer dar um susto na mulher. Só que o susto pode ser bem grande, podendo até transformar-se num velório. A fome quando não mata, no mínimo ela faz o indivíduo descobrir ou confirmar, de uma maneira muito dolorosa, que o mundo gira.
No entanto, nos últimos dias, o grevista citado acima deu uma boa arribada.  Parece que ele encerrou a greve em casa ou está comendo fora. Quanto a ela, a esposa, pelo tecido adiposo adquirido neste meio tempo, parece que comeu o dobro, além de...... Bem, deixa pra lá!  Como já dizia o meu grande amigo Godofredo: “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.  Agora, quanto à fome, exorto-os a ajudarem matá-la sempre que ela mostrar sua cara medonha. Matar a fome alheia, de quem não dispõe de armas para matá-la, não é crime; é uma benção divina!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O ADITIVO.

Em gramática, aditivo é uma partícula que liga duas palavras ou uma frase à outra, para completar o sentido do conjunto. As mais comuns são “e” e “nem”. Em química, é uma substância que é adicionada à outra para agregar valor ou aumentar eficiência da primeira. Exemplo, gasolina aditivada; leite vitaminado. Em matemática, é uma soma, um acréscimo. Enfim, uma adição.
Em administração pública, o aditivo é uma estratégia, uma esperteza, uma rasteira, uma falcatrua, uma maracutaia, um golpe, um conluio, tudo muito usado pelos gestores para aumentar o preço das obras públicas, e, por conseguinte, sobrar vultosas quantias para serem rateadas entre os envolvidos na ocorrência. Assim, fica tudo do jeito que o Quinzinho e o Ditinho gostam.
Nesse setor, o bendito aditivo é usado da seguinte forma: Numa concorrência pública, um empresário amiguinho do gestor dos recursos, após um prévio, particular e sigiloso acordo, em que recebe informações privilegiadas, apresenta em sua proposta um preço menor, impraticável, e vence o certame, na maior deslealdade com os demais concorrentes não sabedores do conluio prévio.
Depois de tudo “legalmente” decidido, o empresário vencedor, coitado, “muito inocente”, percebendo que vai perder dinheiro no cumprimento do contrato, solicita um aditivo, ou seja, um aumento de preço, no que é prontamente atendido. Aliás, raramente se fica sabendo de aditivo para baixar o preço de um contrato, mas para aumentar, acontece todo dia. É batata!
Assim, o aditivo é usado em todos sentidos: gramático, matemático, químico e econômico. No gramático, o aditivo não é muito bem usado porque a afinidade deles com a Linguagem é pouca, mas nos outros sentidos é satisfação geral. No matemático, como grandes mestres que são, eles somam o número de contas correntes e multiplicam o saldo bancário.
No econômico, pela mesma forma, somam e multiplicam os bens pessoais duráveis, como imóveis urbanos, fazendas, grandes rebanhos, casas de veraneio, automóveis, depois de dividirem entre si o produto do roubo. Por outro lado, somam mais miséria ao povo, enquanto multiplicam a decepção, o desânimo, a aversão e o ódio justificado do povo contra eles mesmos.
No sentido químico, além de potencializarem os maus exemplos, energizam a corrupção, vitaminam o corporativismo, fermentam o crescimento da roubalheira, também chamada apropriação indébita para resfriar um pouco o impacto negativo. Assim, eles acabam transformando suas combalidas reputações em lixo, ou melhor, em merda. E viva o aditivo!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Perfil de uma intolerância.

Ultimamente tem-se falado muito em intolerância. Intolerância racial, religiosa, social e outras. Entretanto, a intolerância que mais tem ficado em evidência é a relativa aos homossexuais. Ressalvados o fanatismo, o radicalismo e o espalhafato de ambas as partes, tenho certeza de que tolerar uma pessoa homossexual não é diferente e nem mais difícil de que tolerar uma heterossexual, desde que ambas tenham um procedimento correto, normal e legal. Tenho amigos homo, aos quais aprecio e respeito muito. Sou 100% hétero, mas nada me impede de pensar no problema dos diferentes.
A simples diferença, até abstrata, ocasionada pela orientação sexual não podia servir de motivo para se discriminar alguém. Nem é necessário dizer, mas no universo das pessoas homossexuais há inúmeras que são extraordinárias, em todos os sentidos do relacionamento humano. Por outro lado, também encontramos em todos os lugares, indivíduos heterossexuais que são os mais indesejáveis possíveis. Portanto, a orientação sexual nunca torna uma pessoa pior do que outra, mas sua forma diferenciada de agir pode torná-la, no mínimo, inconveniente e censurável.
No entanto, a intolerância existe e é manifestada devido ao exagero de uma ou da outra parte, o que acaba dividindo a culpa entre ambas. Alguns homossexuais exageram em suas manifestações, chegando ao ponto de ser considerados escandalosos, uma vez que afrontam os costumes tradicionais, incluindo aí os preceitos religiosos. Não precisava ser assim, mas alguns deles são mais espalhafatosos do que muitas mulheres tidas como escandalosas. Acredita-se que a libido deles é incontrolável, muito mais latente do que a de qualquer outro indivíduo normal e ativo sexualmente.
Do lado oposto, os fanáticos e radicais, até mesmo os seletivos moderados, ficam irritados com tais atitudes, tidas como imorais e abusivas, o que acaba levando-os a externar reações raivosas e violentas. Considerando que a cada ação corresponde uma reação de igual ou maior intensidade, a ação escandalosa de pessoas ligadas ao grupo GLTB provoca a reação violenta e condenável do grupo contrário. Como nenhuma pessoa pode ser agredida física ou moralmente por preferir outra do mesmo sexo, alguém vai ter que mudar para que haja paz entre as pessoas diferentes.
Quanto ao preconceito moderado, menos grave do que a intolerância, este também existe em todos os lugares e ninguém precisa ser hipócrita dizendo o contrário. Então, não é toda família que tem o equilíbrio suficiente para aceitar uma situação do ramo. Quando aceita, é por falta de opção, uma vez que ser humano é ser humano e fim de questão. Vejam bem: Um homem casado, hétero, vez ou outra costuma ter outras mulheres. Neste caso a esposa costuma até aceitar. Entretanto, se esse mesmo homem fizer a besteira de transar com outro homem, a esposa o abandona na hora. Verdade ou mentira? Com a palavra, as mulheres!
A propósito do tema “opção sexual”, gostaria de emitir minha modesta opinião a respeito, mesmo não tendo conhecimento específico e nem autoridade sobre o assunto, mas a discordância é livre, principalmente sendo respeitosa e flexível. Eu não acho que seja opção. Acho que é uma derrota, uma capitulação perante a força da natureza humana, uma vez que o indivíduo é vencido pelo desejo sexual extremamente forte, mais do que sua vontade e seus próprios preceitos, segundo a literatura pertinente. Se for opção, só pode ser compulsória. Todavia, sendo compulsória, não pode ser opção. É imposição; é a única saída.
Aliás, durante os debates levantados pela festa da diversidade ocorrida em Arcos, alguém disse aqui no Portal que esteve até no Seminário, de onde saiu vencido pelo desejo homossexual, que foi mais forte do que ele. Inclusive disse ser hipócrita a pessoa afetada que disser o contrário. Tempos atrás, nos anos 80, quando a AIDS estava se alastrando rapidamente, mais por meio de relações homossexuais, um médico me disse, em conversa informal, que, no caso, o desejo é tão grande, que o indivíduo ignora o risco de contrair a terrível síndrome. Ou seja, o medo da doença é vencido pelo desejo que é muito mais forte. Aquele que resiste é um bravo.
Lá em cima, no primeiro parágrafo, eu disse ser 100% heterossexual, conforme a maioria absoluta do povo brasileiro, e do mundo também, é claro. Entretanto, está havendo uma pressão tão grande da minoria sobre a maioria que, muito breve, não se pode duvidar devido ao mundo estar de ponta cabeça, surgirá uma lei obrigando os héteros a viraram homos, para não haver conflitos. Os homossexuais mais exacerbados querem, de todas as formas, impor aos heterossexuais o seu sistema de vida, nem sempre, mas, vez ou outra altamente pernicioso e carregado de maus exemplos. Estes querem perverter todas as normas, inclusive o conceito do vocábulo casal.
Quanto ao conceito do termo casal, imagino ser difícil, senão impossível, mudá-lo, uma vez que ele existe desde os primórdios da criação Divina. Não tem cabimento, dois seres iguais formarem um casal. O máximo que podem formar é um par, uma dupla, um dueto. Se assim não fosse, Deus teria criado Adão e Ivo; Eva e Ivone e assim por diante. O conceito do casal criado por Deus é tão sublime que, a ser verdadeira, a história da Arca de Noé está aí para provar, uma vez que Deus o mandou colocar nela um casal de cada ser vivente sobre a terra. Em sua onisciência, Deus não ia fazer uma coisa tão séria, tão perfeita, para os homens muda-la depois.  
Isto não está certo, pois cada um pode levar sua vida da forma que achar conveniente, porém sem transgredir as normas que atendem os anseios da maioria. O respeito ao direito e ao desejo da maioria é uma consagração universal, que não poderia ser revogada ou violada por força de leis esdrúxulas e discutíveis. Quanto ao surgimento da tal lei da “virada” não se pode duvidar mesmo, principalmente quando se leva em conta o baixo nível moral de nossos políticos que só pensam em arrebanhar eleitores para seus currais eleitorais.  Mesmo sabendo que afrontam a maioria, eles, os políticos, não ligam porque também sabem que a memória do povo é curta.
De uns tempos para cá, a pressão sobre a sociedade está muito grande para que ela aceite procedimentos diferentes dos convencionais e consagrados ao longo do tempo. Os programas televisivos estão aí para condicionar a sociedade a aceitar tudo. Vejam as novelas televisivas. Muitos autores são homossexuais e estão, em bloco, insistindo em forçar a sociedade a aceitar os exageros e achar que tudo é normal. E que todas as opiniões contrárias são preconceituosas e passíveis de punição. Há um deles que já se manifestou, raivoso, dizendo que a sociedade não aceita beijo gay em público, portanto, por enquanto, só na casa dele.
Voltando aos políticos, não podemos nos esquecer de que eles são muito bonzinhos e gostam de facilitar as coisas para o povo. Assim, eles já devem ter concluído que virar homossexual é muito mais fácil do que voltar a ser heterossexual, haja vista a inexistência ou raridade de ex-homos e a fartura de ex-héteros, já, ao que tudo indica, incentivados pelo movimento pró homossexuais. Então, esforçados, interessados e eficientes como são, os políticos não titubearão em tomar medidas para “facilitar” as coisas para a grande maioria.  Já que quem foi não está querendo ou não encontrando jeito de voltar, que vá o resto para evitar conflitos de opiniões.
Mesmo assim, e em sendo assim, abaixo a discriminação, abaixo o preconceito e abaixo a intolerância. Arriba a paz, arriba a harmonia e arriba a concórdia entre todas as pessoas, não obstante as diferenças entre elas vão continuar existindo até o final dos dias e por todo esse mundão de Deus, de quem todos nós, sem exceção, somos filhos amados.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

MUDANÇA DE NOMENCLATURA.


Ás vezes eu fico pensando no palavreado antigo que era usado para caracterizar pessoas, identificar coisas e definir situações, como também na mudança dos termos, vocábulos e expressões próprias a cada uma. Lembro-me, e muito bem, de quando eu ia me matricular no Ginásio Estadual e não tinha dinheiro pra pagar a taxa de matrícula. Naquele tempo, tal como hoje, era mais fácil achar um político honesto do que dinheiro no meu bolso. “Tempo bom, lê, lê, não volta mais, saudade”.......
Era uma taxa de pequeno valor, quase simbólica, mas era cobrada. E quase sempre eu estava desapercebido do vil metal. Aí eu tinha que passar pela humilhação de ir à Delegacia de Polícia e pedir ao delegado um atestado de pobreza, para me isentar do pagamento. Escola pública cobrar taxa é um paradoxo, mas fazer o quê? Mandava quem podia e obedecia quem precisava estudar e não tinha grana para o Colégio Comercial Arcoense, que era a única opção ginasial da época.
Aconteceu que as brilhantes autoridades da época deduziram que “Atestado de Pobreza” era muito humilhante, e mudaram o nome para ATESTADO DE MISERABILIDADE. Em minha opinião ficou muito mais humilhante, uma vez que a miséria é mais pobre do que a pobreza. Ou seja, a miséria é a pobreza amplificada.  Essa foi uma mudança de nomenclatura que piorou bastante o sentido da coisa, que, de feia, passou a horrível. A emenda ficou pior do que o soneto.
            Já há outras alterações de nomenclatura que melhoram o sentido do termo, elitizando-o, até tornando chique a pessoa que o recebe. Por exemplo, chamar o sujeito de inadimplente. Quem não sabe o significado pode até pensar que se trata de um elogio. Eu, hem! Então, afirmo por minha conta e risco que tais alterações ocorreram por conveniência do próprio homem, para justificar comportamentos pessoais contemporâneos e explicar o surgimento de novos, como também para eliminar ou amenizar constrangimentos e preconceitos.
Vejam abaixo o “hoje” e o “antes” de alguns vocábulos e expressões, em desordem alfabética.

HOJE:                                           ANTES:
Inadimplente.............................   Fintador, caloteiro.
Ocioso, disponível..................Vagabundo, desocupado, malandro.
Profissional do Sexo, meretriz .......Puta, rapariga, biscate.
Dependente químico..........Drogado, maconheiro, cachaceiro, pinguço.
Colunista Social.............................Fofoqueiro
Sodomita, Pederasta, Gay............ Viado, fresco, mariquinha, bicha...
Afro-Descendente........................ Negro, crioulo...
Idoso............................................... Velho, caduco, pé-na-cova...
Desvio de conduta.........................Sem vergonha, safado...
Maníaco Sexual...............................Tarado, comedor....
Psicopata .........................................Doido varrido
Defectivo..........................................Cagão.    
Portador de Síndrome de Down ......Mongolóide
Inverídico, inverossímil.................. Mentira pura
Apropriação indébita, subtração......Roubo
Ficha suja...........................................Político ladrão
Cálculo renal......................................Pedra no rim.
Enfarte do Miocárdio.............Piripaque, dá um treim, sofrer um treco.
Deficiente físico.................................Aleijado
Fazer amor ..........................................Dar uma trepada
Travesti, transexual...........................Macho-fêmea.
Pedófilo ...............................................Comedor de criança.
Prejudicado verticalmente.................Anão, nanico
Calvo.....................................................Careca
Obeso....................................................Gordo, porco, capado...
Tecido adiposo....................................Gordura
Deficiente mental.................................Retardado
Epilepsia...........................Sofrer acesso, dá uma duda, desmaiar....
Boate .....................................................Zona Boêmia, “rendevú”.....
Lésbica...................................................Sapatão...
Cleptomaníaco.......................................Ladrão rico
Impotente sexual...................................Broxa; não dá no couro..
Disfunção erétil.....................................Pinto mole..
Excesso de pele.....................................Muxiba.
Desinformado........................................Ignorante
Inculto, iletrado.....................................Analfabeto.
Desarranjo intestinal.............................Caganeira
Regurgitar...........................Vomitar, lançar, chamar o juca.               
Defecar ................Cagar,fazer uma viagem, passar um telegrama
Testículos................................................Bagos, ovos....
Bolsa escrotal .........................................Saco, capanga.
Rigidez peniana.......................................Pau duro
Casa de repouso .....................................Hospício
Convidado ocasional .............................Penetra
Fazer a sexta .............................................Dormir depois do almoço.
Nauseabundo ..........................................Fedorento, nojento.
Lanche, levar um .....................................Levar matula.
Fazer um lanche.................Comer uma treta, comer um trem.
Menor infrator...................Menino bandido, pivete, trombadinha.
Restrição cadastral ..................................Nome sujo
Glutão.........................................................Esfomeado.
                                   KBÔ, por enquanto.