terça-feira, 3 de maio de 2011

PARADOXOS, incongruências e outros deslises.

DE VEZ EM QUANDO paro pra pensar em algumas incoerências e paradoxos que acontecem aqui em Arcos. Algumas são hilárias, outras já são vexatórias e vergonhosas para quem as protagoniza. Estou falando de nossa cidade, porque é aqui que a gente convive, passou e passa o maior tempo de nossa vida. Mas em outras cidades devem ocorrer também incongruências parecidas, às vezes até piores. Como estamos cá, não estamos lá para testemunhar os fatos incoerentes e pitorescos. Então, cuidemos dos daqui!
PRIMEIRA INCOERÊNCIA: Havia aqui um sujeito muito preguiçoso, um dos maiores que eu já vi. Parece que o cidadão nunca tinha trabalhado na vida. Sabe a qual partido político o mesmo era filiado?  Pasmem, mas o referido cidadão era filiado ao Partido dos Trabalhadores. Parece-me, não tenho certeza, que ele era um dos fundadores do PT local. Olhando pelo nome do partido, é uma incoerência das grossas, mas em se tratando de facção política tudo pode acontecer, e dentro da maior normalidade.
SEGUNDA INCOERÊNCIA: Aqui tem pessoas que não possuem casa própria, mas possuem dois ou treis veículos. Quando vão alugar uma casa, esta tem que possuir garagem ampla, para proteger o carro do marido, o da mulher, os dos filhos, até o carango da sogra. O cidadão não se preocupa em possuir um teto pra chamar de seu, mas os automóveis são essenciais para aumentar o status. É claro que possuir carro é danado de bom, mas a casa própria, por uma questão de lógica, tem alta prioridade.
TERCEIRA INCOERÊNCIA: Esta é hilariante porque a pessoa que a provocou é engraçada e espirituosa. Essa pessoa, muito amiga minha, entrou no bar para comprar cigarros. O dono do bar, curioso, iniciou com ele o seguinte diálogo:
-Uai, fulano, eu não sabia que você fumava!
–Eu não fumo mesmo. Este cigarro é para minha mulher.
–Mas, sua mulher fuma?
-Fuma, mas só escondida de mim!  
-Mas como, escondida, se você mesmo está comprando cigarros pra ela?
-Uai, é mesmo sô. Eu ainda não tinha pensado nisso.
QUARTA INCOERÊNCIA: Esta também é engraçada, se não fosse ridícula. Um sujeito adquiriu um lote de terra numa rua da nossa cidade. Só que o tal lote não tem frente para a rua, ou seja, a frente é zero, conforme está no contrato de compra e venda. Se a frente é zero como o sujeito entraria na casa construída no tal lote, já que não há rua dos lados e nem no fundo?  Só se fosse por cima, de helicóptero.  Ainda bem que o vizinho do lado colaborou com o comprador e trocou parte da frente do seu lote por parte do fundo do lote sem frente. Ficou mais barato do que comprar um helicóptero.
QUINTA INCOERÊNCIA: Esta é ótima e aconteceu recentemente. A prefeitura local comprou materiais para fazer mata-burros numa loja que só vende materiais elétricos, os quais não são usados na construção de mata-burro. Já pensaram se a moda pega? A gente vai comprar remédio no açougue; carne na farmácia; automóvel na funerária; pão na loja de autopeças; móveis na padaria, etc. Este pitoresco fato deveria ser um prato cheio para a atual oposição, que, quando era situação, sofreu na língua da atual situação, quando então esta era oposição. Entenderam? Nem eu.
SEXTA INCOERÊNCIA: Esta é vergonhosa e constrangedora. Aqui tem um sujeito, aliás, mais de um, que tem um passivo bem grande na praça, ou seja, deve dinheiro a vários bancos e no comércio. Mesmo assim, o cidadão não deixa de aproveitar a vida. Como um nababo, leva vida de rico, participando de eventos mirabolantes, como por exemplo, Cruzeiro de Navio e Desfile de Escolas de Samba campeãs do carnaval carioca. Isso sem mencionar outros regalos de gente endinheirada e de bom gosto. Eu também sei o que é bom, mas não posso gozar com o dinheiro alheio.
SÉTIMA E ÚLTIMA INCOERÊNCIA, por enquanto: Já há um outro sujeito em situação semelhante, proporcionalmente falando, é claro, que gosta de participar de eventos em homenagem a fregueses especiais, promovidos por um ou outro feliz comerciante. E com direito a fotos na mídia, e sem perder literalmente nenhuma das poses.  Ora essa, se o cara é um freguês especial, significa que ele compra muito, paga em dia ou compra a vista.  Se o indivíduo pode comprar muito e pagar em dia, por que não liquidar o passivo antigo?  O raciocínio é muito simples e lógico. Mas, vergonha não é para todos. 
OPINIÃO PESSOAL: Quanto às duas últimas incoerências, infelizmente, não são apenas esses dois casos. São dezenas, centenas, milhares deles, no Brasil inteiro, depois que a constituinte de 1988 instituiu o calote no nosso país.  O pior de tudo é que seus protagonistas principais ficam por aí, esnobando um refinado bom gosto à custa do sacrifício alheio. Em minha opinião é uma tremenda falta de caráter e falta de respeito consigo mesmo e com os demais envolvidos.  São as famosas pessoas que comem torresmo escondidas e arrotam lombo em público. Se fosse eu........
Bem, se fosse eu, faria tudo para que esse paradoxo não existisse. Eu sempre tentei saber ser pobre, ter os pés no chão e ser muito grato pelas coisas que Deus me deu. Uma das boas formas de ser rico é saber aceitar a pobreza, com dignidade.  É assim que eu penso! É assim que tento proceder! É assim que recomendo a todas as pessoas que me dão o prazer de emprestarem sua atenção. E o que muito me alegra é saber que ainda há muita gente sensata, que pensa e age da mesma forma.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

EXPRESSÕES, DITADOS E SEUS SIGNIFICADOS.

Desta feita, mesmo sem grandes conhecimentos, gostaria de falar um pouquinho sobre os títulos  acima, os quais agregam muita sabedoria e pertinência quando bem utilizado. Ás vezes a gente usa ditados, expressões e frases de efeito sem saber o significado, o que não aprecio muito fazer uma vez que é recomendável termos algum conhecimento do que estamos falando. Caso alguém nos questione sobre o significado de algo dito por nós, não é de bom tom fugir ao dever de esclarecer. Não pega muito bem sugerir às pessoas consultarem o dicionário, ou então se esquivar dizendo o irritante “Você entendeu, né!?”

Por exemplo: As pessoas costumam dizer: “Você é um carrasco; meu chefe é um carrasco, seu pai é um carrasco.....”, porém sem saber a origem, embora sabendo o significado. Esta palavra, carrasco, veio de Portugal, mas antigamente, muito antigamente, não tinha o mesmo sentido que tem hoje.  Ocorria que no Portugal de antes do século XV havia um sujeito que era encarregado pela Corte de executar os condenados à morte. Seu nome era: Belchior Nunes Carrasco. Daí, o nome próprio Carrasco virou sinônimo de verdugo, algoz, perverso entre outros. O nome se confundiu com o ofício a exemplo de outros nomes.

Uma outra expressão muito usada no nosso meio é o popular ”Vai plantar batatas”, que também se originou em Portugal, como todos os rudimentos de nossa cultura originaram-se também lá. Como plantar batatas era tarefa de pessoa inferior lá nas terras lusitanas, assim quando se queria ofender alguém desfazendo de sua classe social, mandava-o plantar batatas. Então, esta expressão passou a ser usada aqui no Brasil, para revidar ofensas, como forma de xingamentos, bem como para rechaçar pessoas inconvenientes e indesejáveis. “Ah, vai plantar batatas, sô”!  Funciona e não ofende muito.

O cidadão que trabalha na limpeza urbana é conhecido profissionalmente como Gari. Não é verdade? Pois, bem! Analisando o nome em si parece que não tem sentido. Mas sabendo de sua origem chega-se à conclusão de que tem muito sentido. Esse nome, até bem sugestivo por sinal, surgiu há tempos baseado no nome de um francês, que foi contratado por Dom Pedro II para cuidar da limpeza do Rio de Janeiro, em 1876, o qual se chamava Aleixo Gari. Faz sentido, não!? Embora seja um trabalho também digno, gari soa melhor que lixeiro. Também neste caso o nome próprio virou profissão.

E o Salvo pelo gongo? Este também é interessante! Na Inglaterra havia o costume de desenterrar os mortos para desocupar o espaço para outro defunto. Ao abrirem os caixões para a retirada dos ossos, percebiam que havia arranhões nas tampas do lado de dentro, o que os levava a deduzir que a pessoa havia sido enterrada viva. Assim, surgiu a idéia de amarrar uma corda no pulso do defunto e prende-la a um sino, que ficava de fora, é claro. Enterrado o defunto, alguém ficava de plantão perto do túmulo por alguns dias. Se o defunto acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar e ele seria imediatamente desenterrado. Ou seja, salvo pelo gongo.

Pode ser que algum leitor já esteja irritado comigo por causa deste assunto, e de todos os outros, e dirá assim: Ah, Patativa, vai tomar banho!  O que será que ele quis dizer com isso?  Que eu estou sujo? Que estou exalando mau cheiro? Que tomar banho é uma coisa tão ruim, que é o castigo que mereço por falar tanta imbecilidade? Então, quem se habilita a me explicar?  Alguém me disse que é porque quando se está tomando banho, não se consegue perturbar os outros ao mesmo tempo. Será? Tenho minhas dúvidas. E a cantoria debaixo do chuveiro, não perturba? 

Fonte: Não tenho uma fonte isolada e definida. São informções capturadas leituras diversas, entre elas A Casa da Mãe Joana, efetuadas durante toda a vida, depois que fui alfabetizado, é óbvio. Antes eu não lia; só via as figuras.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O ACOLHIMENTO.

O acolhimento é uma atitude social e, sobretudo cristã, muito divulgada na sagrada Escritura pelo nosso Mestre Jesus. O acolhimento é um ato de caridade e misericórdia de quem o pratica. Acolher bem as pessoas é dever de todas as outras que estão em melhores ou diferentes condições de quem necessita do acolhimento. Tal ato não se restringe apenas em dar guarida, agasalho, comida, etc., em nossa casa a quem esteja necessitando imediatamente de bens desse tipo. Ele é muito mais amplo e abrange outras áreas do relacionamento humano, como por exemplo, uma mera atenção, uma simples palavra de apoio e de ânimo, um encaminhamento a um emprego, até uma pequena informação. É confortador estar num lugar estranho e ser alvo de atenção e gentileza.

Quando se fala em acolhimento, vem logo à nossa mente o estrangeiro e o forasteiro de um modo geral. São as pessoas que mais necessitam dele, uma vez que, conforme o próprio adjetivo diz, geralmente, estão fora de sua terra, longe de seus familiares e conhecidos. São, portanto, os seres humanos que necessitam de um acolhimento mais imediato. Neste caso, nossa cidade sempre primou por acolher bem os forasteiros que tiveram o destino de chegar até aqui. Na verdade, Arcos acolhe até bem demais, sem discriminação e sem seletividade, o que algumas vezes já trouxe embaraços à nossa comunidade, devido ao excesso de confiança e generosidade, bem como à maldade e leviandade de alguns acolhidos. Entretanto, o número de malfeitores é bem menor do que os outros.

 O povo de Arcos é muito bom, motivo pelo qual está sempre desarmado em relação a forasteiros. Sempre foi assim! Tanto os nativos, quanto os de fora radicados aqui. Quando a cidade estava tendo os primeiros impulsos de crescimento e recebendo muitos forasteiros, como está ocorrendo de novo, começaram a ocorrer estripulias praticadas por alguns forasteiros inconvenientes e passageiros, felizmente, que aqui chegavam. Lembro-me muito bem de algumas crianças que nasciam aqui, cujos pais, forasteiros, escafederam, bem como de alguns casais que se desentendiam por fraqueza da mulher, que preferia a novidade de fora, como ocorre em quase todas as cidades pequenas. Uns separaram; outros mudaram daqui e nunca mais voltaram.

Lembro-me também que o saudoso José Laranjeira era o Delegado de Polícia e tinha muito trabalho para conter alguns maus elementos, de fora, que vinham trabalhar aqui. A cadeia estava sempre cheia de bêbados e arruaceiros. Lembro-me ainda de um dia em que o controvertido delegado, armado de uma carabina, enfrentou um bando de arruaceiros de fora, lá na porta do hospital. E o tanto de golpes que alguns forasteiros aplicavam nos comerciantes de Arcos!? Os comerciantes abriam as pernas demais, quando atinavam de fechar, os gaiatos já tinham dado no pé. Ás vezes a gente daqui não conseguia comprar a prazo deles, e os de fora deitavam e rolavam. Eu mesmo me senti vingado uma vez, com um comerciante que não quis vender a prazo para meu pai.

Recentemente tivemos um exemplo aqui de acolhimento arriscado, que poderia até ter redundado numa tragédia, já que não temos condições de saber que tipo de pessoa estamos acolhendo. Pela cara não é fácil saber, pois atrás de uma fisionomia séria, sisuda, até feia, pode muito bem esconder um coração generoso e uma moral decente, garantia de um passado limpo. Ao passo que atrás de uma cara bonita, alegre, sorridente, pode estar escondendo um perigoso bandido. As aparências podem simular muitas nuances da índole do avaliado, o que pode nos levar a praticar atos injustos ou a não adotar atos justos devido a deduções erradas. Felizmente, no nosso exemplo tudo acabou bem, menos para os fugitivos, que voltaram para o local de onde fugiram.

Em sendo assim, e considerando a mudança das pessoas para pior, o que está fazendo os riscos aumentarem assustadoramente, temos que rever nossa posição quanto ao acolhimento de estranhos, para nos proteger de surpresa desagradável, senão trágica. A literatura, policial principalmente, está recheada de exemplos de pessoas que foram vítimas de violência porque tiveram o altruísmo de praticar o ato do acolhimento. Algumas podem até ter sido vítimas de sua própria esperteza, ganância ou de interesses mesquinhos, mas a maior parte age espontaneamente, movida pelo sentimento de compaixão ou de serventia.  Infelizmente, a realidade é esta e temos que conviver com ela. Hoje em dia, é muito temeroso até praticar atos de generosidade, uma vez que o perigo pode ficar bem perto de nossos olhos, até no seio da própria família. Só que a gente não consegue vê-lo a tempo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Idosos e as DSTs.

Na quarta-feira de cinzas, 08/03, ouvi um assunto na TV que me deixou preocupado Em uma de suas pregações, um sacerdote muito famoso, indignado, falou por longo tempo sobre o aumento da incidência de AIDS nas pessoas idosas, depois que pessoas da terceira idade estão usando mal a liberdade e os incentivos recebidos, confundindo-os com libertinagem. Embora o sacerdote citado possa ter sido exagerado e contundente, penso que ele tenha razão, bem como autoridade religiosa para falar no assunto. Chegou até a dizer que sua mãe, viúva e relativamente nova, está proibida de freqüentar tais grupos, mesmo ela não necessitando de tal medida limitativa.

Em minha opinião, trata-se de algumas pessoas, e o excesso ocorre em todos os lugares, e também aqui. Há muitos terceiridadistas que são sensatos e moderados, e sabem proceder decentemente em seus redutos. Porém, há outros que exageram, tentando tirar todo o suposto atraso acumulado ao longo da vida, ou pensando que o mundo vai acabar amanhã. Alguns são até ridículos, servem de chacota, não respeitando os limites impostos pela idade. Parecem miquinhos amestrados fazendo gracinhas para a platéia. Meus amigos, o mundo não vai acabar amanhã, mas, acabando, tudo acaba junto, inclusive os forrós e todos os folguedos que lhes são oferecidos.

De fato alguns exageram. Não se pode ir com muita sede ao pote. Pode acontecer de, pela pressa, um gesto brusco quebrar o pote. Para tudo existe o limite, o ponto ideal e a disciplina. Tem idoso que não perde um forró; não deixa escapar uma festa do ramo, mas não dedica um minuto sequer a Deus. Parece que raramente se reúnem exclusivamente para atividade religiosa. São alegres e animados, que nem percebem os oportunistas usando-os para levar vantagem pessoal, uma vez que o grupo é um celeiro de votos. Não estou falando dos idosos de Arcos, mas de todos. Porém, com todo o respeito que sempre devotei aos idosos e às crianças.

Alguém deveria lembrá-los que nem só de folguedos vivem as pessoas, de qualquer idade. A gente vive também da palavra de Deus. E quanto mais idosa, mais a pessoa deve procurar reconciliar com Deus, uma vez que, o acerto de contas pode estar próximo. Na lógica, é claro. Isso não significa que temos que ficar só rezando, não! Havendo chance de folguedos, não se pode deixar de aproveitá-la. Temos que conciliar e aproveitar as coisas boas da vida, inclusive sexo seguro. Pois o futuro é hoje, é agora. Aliás, a vida é hoje, é agora, é o momento atual. O idoso não tem mais tempo para perder. Porém há que se fazer tudo com moderação, sem frenesi, sem desatino. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém!

terça-feira, 29 de março de 2011

Um bom atendimento: Como seria?



Um bom atendimento, a meu ver, não é aquele ato caracterizado pela marcação cerrada que o vendedor faz sobre o cliente logo que este adentra ao estabelecimento. É bem irritante mal acabar de entrar numa loja, já vir um atendente dizendo a célebre frase: ”E pra você”!  Aí, o freguês, já ressabiado, responde: “Estou só dando uma olhadinha!” E vaza fora. Isso não é um bom atendimento. É um assédio comercial. É um espanta freguês. Ao ouvir tal frase logo na entrada, peço para me esperarem acabar de entrar.
Penso que o bom atendimento seria o vendedor receber o cliente, colocar-se a disposição dele, mas deixando-o à vontade para que ele pudesse olhar as mercadorias e talvez localizar a que está procurando, caso esteja exposta. Do jeito que funciona não é muito agradável. Tem suas vantagens, mas também há o outro lado, desvantajoso. Normalmente o vendedor não espera nem o freguês acabar de entrar. É uma avalanche, e a gente se sente encurralada e vigiada.
Então, seria ótimo o vendedor, após um cumprimento rotineiro, dizer, por exemplo: “O que o senhor (ou senhora, ou você) deseja? Já tem alguma coisa em mente ou quer dar uma olhadinha nas mercadorias? Fique à vontade! Assim que decidir, pode me chamar”.  Tudo isso sem muito rapapé, pois há freguês que não gosta de muita frescura. Eu não gosto. Se o freguês já tiver na mente a mercadoria pretendida, completa-se o atendimento sem mais delongas.
Confesso, sinceramente, que me sinto bem melhor quando o vendedor não me assedia, me deixando à vontade para eu dar uma olhada e localizar a mercadoria que estou procurando, caso ela esteja ao alcance da vista. Com aquela marcação cerrada, sob pressão, o freguês discreto e tímido pensa até que está incomodando. Numa situação assim, eu me sinto constrangido, e, sabendo antes, nem entro na loja. Porém, reservo a todos o direito de pensar que a falha é minha.   
Por outro lado, o freguês tem que entender que o atendente não pode deixá-lo muito sozinho tendo em vista a grande incidência de roubo nas lojas. Há pessoas que entram nos comércios só pra roubar. Nas grandes cidades, o índice de roubo nos comércios é muito grande, o que anda preocupando as autoridades e os empresários, principalmente. Em cidade pequena, onde quase todos são conhecidos, ainda há moderação, mas ocorre com certa freqüência, segundo se ouve comentar.
Olhando por esse lado, a gente até entende o assédio do vendedor, uma vez que ao menor descuido, o gatuno afana a mercadoria e sai numa boa, ainda com ar de vitorioso. Ladrão não tem cara de ladrão e nem fala que é ladrão. Portanto, todo cuidado é pouco. Na verdade, o assédio instantâneo não tem objetivo só de um bom atendimento, mas também de uma vigilância severa sobre o freguês, quando este não é conhecido do atendente ou de outros do local.
Outro dia conversei com um comerciante local sobre este assunto. Ele concorda que esta forma de atender não é a ideal, mas acha que ainda é a melhor porque há fregueses que gostam e exigem, além do problema dos furtos. Os fregueses cheios de frescura exigem a atenção de todos. Porém, os empresários do ramo sabem que a maioria dos fregueses é gente honesta, cuja presença não exige sentinela, como também sabem que boa parte da clientela não gosta do assédio.  
Eu não aprecio muito o assédio, embora sabendo que o vendedor foi treinado para isso e tenta fazer o melhor, até pela sua remuneração. Prefiro não comprar a ter um vendedor, com o qual não tenho liberdade de bater um papo, feito sombra me seguindo e não me deixando nenhum espaço, nem físico, nem emocional. Quando me acontece situação parecida, costumo ser franco, pra não dizer mal educado, pedindo ao vendedor para me deixar pelo menos respirar.
Não quero com isso dizer que um bom atendimento não é importante. Antes, é importantíssimo! Tanto que o efeito multiplicador de um freguês mal atendido é muito maior do que o do bem atendido. Dizem por aí que um freguês satisfeito traz dez novos fregueses para o local, ao passo que um freguês mal atendido leva embora consigo cem fregueses. Talvez haja aí um exagero, mas a propaganda negativa é mais poderosa do que a positiva, já que o mal costuma vencer o bem.
Quando o atendimento é acompanhado de muito rapapé, muita frescura e muito fingimento, aí é que fico deverasmente constrangido. É sabido que o freguês é a razão da existência do comércio, mas, por outro lado, o comerciante também exerce papel importante na economia e na vida do freguês. Eu penso que a utilidade é recíproca. O empresário também proporciona comodidade e facilidades ao consumidor. Sendo assim, o freguês não deve ser arrogante e nem exigir tapete vermelho.
Há um outro senão no ato do atendimento que gostaria de comentar. É quando vendedor insiste para o freguês levar a mercadoria que ele, vendedor, tenha gostado. É claro que o profissional do ramo costuma ter mais bom gosto do que consumidor. Porém, pode ocorrer que o vendedor esteja querendo ficar livre de uma mercadoria que esteja encalhada ou em desuso e, com muita razão, não pode perder a chance de empurrá-la no primeiro paspalhão que aparecer.
Portanto, no meu modo de entender, empreendedor e consumidor são interdependentes. Um depende do outro; o outro depende do um. Se um necessita de um bem, o outro está com o bem disponível à espera do necessitado. Então, não é nada justo pensar que só o cliente é importante no virtuoso ciclo comercial. Não obstante o cliente consumidor seja o mais importante, o empreendedor também tem seu valor. È muito bom precisar de algo e encontra-lo facilmente à nossa disposição. Esta é uma das grandes vantagens do capitalismo.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Código do Idoso e os oportunistas.

Há mais de meio século, o Barão de Itararé já dizia: “Há indivíduos que só confessam a idade que têm para ficarem bem colocados nos banquetes”. Certo! O costume ainda persiste, só que agora o objetivo da confissão é mais para usarem as vantagens que o Código do Idoso faculta-lhes, principalmente o avanço de fila. Acho muito certo, pois a criança e o idoso, que são os dois extremos da vida, merecem toda proteção. O respeito a esses dois extremos teria que ser espontâneo, mas já que não é tem que haver uma lei obrigando. O público alvo do tal código deve usá-lo sempre que necessário, porém criteriosamente e, de preferência, sem prejudicar muito quem for preterido.

Entretanto, o ato sistemático de furar fila não é muito bem visto pelos preteridos. Normalmente, a pessoa idosa é aposentada e quase sempre tem tempo disponível. Como lhes é de direito, costumam furar filas para logo em seguida ficarem a toa, nas esquinas, jogando conversa fora. Outros, ironicamente, até zombam de quem permanece muito tempo na fila. Alguns idosos são até empregados ou recebem remuneração de empresas, e mesmo de pessoas, exclusivamente para furar filas, ao passo que outras pessoas que se postam numa fila são trabalhadores, estudantes, donas de casa ou qualquer outro tipo de pessoa sujeita a horários e com o tempo rigorosamente distribuído.

Sempre vejo fatos semelhantes em minhas estadas nas filas de bancos, casas lotéricas e supermercados. Se eu continuar pensando da forma que penso, vou evitar avançar uma fila, pelo menos enquanto eu tiver saúde para enfrentá-la. Quanto ao tempo disponível, provavelmente o terei muito mais do que muitos fileiros habituais. Enquanto eu tiver disposição física, tentarei não furar fila, mesmo que tenha 500 anos de idade. Até mesmo para não irritar quem já está há mais tempo nela. Também, não acho justo preterir quem tem menos tempo disponível. Já vi gente avançar fila, depois sair numa boa e ir jogar sinuca, baralho ou em animadas conversas de rua.

Embora se trate de um direito prescrito em lei, o beneficiário não é obrigado a utilizá-lo. Os deveres legais somos obrigados a cumprir, porém os direitos são facultativos. Podem ou não ser usados de acordo com a consciência do seu detentor. Não sendo necessário, para que usar? Ainda mais um direito, cuja utilização, vez ou outra, está preterindo e irritando outras pessoas. É duro estar numa fila demorada e vê-la sendo furada por outro sujeito, o qual tem mais tempo disponível, e ainda por cima sendo sadio e esperto, não obstante sua idade já lhe permite tal procedimento. Tenho o maior respeito pelos idosos, meus futuros colegas, motivo pelo qual me refiro apenas às exceções abusivas.

Todo mundo sabe que é permitido ao idoso, ao deficiente, às gestantes e a quem carrega criança de colo, avançar uma fila apenas para resolver assuntos pessoais e familiares, e não para executar tarefa remunerada ou quebrar o galho de algum espertinho apressado, que não raro está utilizando um usuário preferencial, um idoso principalmente, para efetuar uma bela furada na fila. Eu já presenciei, no banco, uma única criança sendo usada por duas pessoas diferentes para furar fila. Quanto à gestante, a mulher imagina que se engravidou ontem, hoje já quer furar fila. Assim não dá! Reclamações sobre os excessos e abusos sempre há, mas os gerentes dos estabelecimentos alegam que nada podem fazer. “Dura lex, sede lex.”

terça-feira, 15 de março de 2011

Homenagens Póstumas: Justas ou injustas? Depende!

A Avenida que liga a Vila Boa Vista ao Bairro Olaria recentemente pavimentada pela atual administração, pelo que se sabe foi batizada com o nome de Celso Teixeira de Castro. Tudo muito bem; tudo certo! Antes de dizerem, vou logo dizendo, não tenho absolutamente nada contra o homenageado e nem penso que ele não mereça esta homenagem. Ao contrário, tenho certeza de que merece. Penso apenas que a fila é grande. Antes, há pessoas que fizeram muito por Arcos e até hoje não foram homenageadas, tendo os seus nomes inscritos em logradouros públicos, enquanto muitas outras, ilustres desconhecidas, já tiveram tal honraria, simplesmente por falta de critério justo nas escolhas.

Sendo assim, e para despertar a memória de quem de direito, ouso fazer a seguinte indagação: Quem foi Capitão José Apolinário, Tenente Florêncio Nunes, Salomão Assad, Augusto Murtinho, Zalkin Piatgosk, e muitos outros tão desconhecidos quanto, que estão denominando ruas, avenidas e outros locais públicos? Mesmo que tenham sido conhecidos pelos moradores mais antigos, não se tem notícia de nada que eles fizeram em benefício da cidade e ou do povo enquanto pessoas vivas. Estou fazendo tais indagações baseado em informações obtidas sobre essas pessoas. Todavia, não garanto certeza absoluta. Se eu estiver sendo injusto quanto a eles, me desculpem, por favor. Em relação a alguns, garanto não estar sendo.

Agora me digam também quem foi Armando Barboni, José Pelidiano, Edson Fonseca, Gerson Frias, Ramiro Gomide, Neca Jacinto, Doutor Osório, Jorge Zacarias, Jorge Calácio, Geraldo Gouveia, Lino Clementino Vieira, João Divino do Nascimento, Geraldo de Sousa (Geraldo da Minervina), e tantos outros que não obstante seu trabalho e sua bondade estão esquecidos até hoje por quem podia e devia homenageá-los. No caso de Armando Barboni e José Pelidiano, eles foram os artífices de boas edificações que havia e ainda há em Arcos, exemplos a Matriz de Nossa Senhora do Carmo, o prédio onde ora funciona o Bradesco, a Usina Velha, cujas estruturas preservadas até nossos dias devem ser creditadas aos dois.

Assim sendo, exorto os responsáveis por estas homenagens, suponho ser a Câmara de vereadores, adotarem um pouco mais de critério ao escolherem personalidades a serem homenageadas uma vez que aqui  há supervalorização de umas e desvalorização de outras. Não se restrinjam a escolher o homenageado só pelo fato de ser parente do fulano, ser não sei o que do beltrano, porque é morador da redondeza, porque é sogro rico do empresário do local, porque morreu dessa ou daquela forma ou porque isso, aquilo e aquiloutro. Dêem preferência ao critério de serventia comunitária, uma vez que muita gente já falecida deu provas de sua prestimosidade. Temos um celeiro póstumo bem cheio.

Exorto ainda a,ao aprovarem um novo loteamento já apresentar uma lista de nomes para as ruas, ao invés de permitirem a adoção de nomes de cidades, de tribos indígenas, de estados da federação, de minerais, conforme ocorreu no Bairro Sion, onde houve até repetição de “Rua Esmeralda”, a qual já existia na Vila Boa Vista. Este procedimento poderia até ser parte do elenco das várias condições de aprovação do loteamento. Mesmo que não fosse uma condição inflexível, nossos legisladores deveriam fazer uma exigência moderada sobre sua adoção. Este procedimento não ia prejudicar ninguém, enquanto homenagearia muitas pessoas das várias famílias que ajudaram a construir nossa cidade. Já que um ou outro edil não tem aptidão para legislar e fiscalizar, que cuide deste assunto.

É claro que o vereador tem todo o direito de homenagear um ente querido seu que já tenha partido dessa vida, principalmente sendo gente merecedora, conforme a maioria, de fato, o é. Se eu fosse um vereador provavelmente faria a mesma coisa. Devo dizer ainda que esse critério faltoso não é invenção da atual legislatura. Ele é muito antigo, e deve ter a mesma idade do legislativo arcoense. Repetindo quantas vezes forem preciso para dirimir dúvidas, não tenho nada contra nenhum dos até hoje homenageados, mas tenho tudo a favor da justiça para muitos, que, embora não estejam mais entre nós, deixaram marcas indeléveis na história da comunidade arcoense e no coração dos filhos de Arcos.